sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"Se conselho fosse bom não se dava, vendia-se!" - Paradoxo ou não?

Por Glória Lourenço

Quem nunca ouviu dos seus colaterais e amigos alguns conselhos? E quando vão falar com você falam logo aquele afamado ditado popular: -“olha, se conselho fosse bom não se dava, vendia-se.” Contudo, este ditado soa-se um pouco paradoxal. Analise comigo: se conselhos fossem realmente bons, se venderiam. Então conselhos não são bons, uma vez que as pessoas dão os mesmos, correto? Que confusão! Mas não se desespere. Vamos desenrolar este nó.

Este ditado é uma ironia a respeito dos bons conselhos. É um escárnio aos conselhos das pessoas mais velhas, com boa índole e até mesmo com a Palavra de Deus. Mas antes de tudo, é preciso ter ciência de que existam os bons e maus conselhos. A palavra de Deus deixa bem claro com relação a isto. O salmista fala no versículo primeiro do seu primeiro capítulo que “felizes são aqueles que não se deixam levar pelos conselhos dos maus, que não seguem o exemplo dos que não querem saber de Deus e que não se juntam com os que zombam de tudo o que é sagrado”. Pessoas que não gostam e não ouvem pessoas sábias e seguem maus exemplos e conselhos são consideradas tolas. A Bíblia também fala sobre os tolos em diversas passagens. Pessoas que confiam em si mesmas, não ouvem os sábios ou falam demais são consideradas tolas. Em provérbios, o texto é bem explicito: “Quem confia em si mesmo é tolo, mas quem segue os ensinamentos dos sábios terá segurança” (Pv. 28.26).

E de onde vêm os bons conselhos?

Os bons conselhos vêm de pessoas sábias, de boa índole, ajuizadas, maduras, experientes, tementes a Deus, humildes, honestas. A palavra de Deus dá uma grande importância aos bons conselhos e a sabedoria em Deus. Em provérbios 13.13 diz: “Quem despreza os bons conselhos acabará mal, mas quem os segue será recompensado.” A sabedoria está intimamente relacionada com o juízo: “quem tem juízo aceita os bons conselhos; quem não tem cuidado com o que diz acabará na desgraça” (Pv. 10.8), ou seja, pessoas com sabedoria temem a Deus, possuem juízo e acatam os bons conselhos para obterem uma vida de sucesso, como diz em Eclesiastes 7.18b: “se você temer a Deus terá sucesso em tudo.” Os nossos planos devem ser fundamentados em muitos conselhos, de pessoas orientadas por Deus: “sem conselhos os planos fracassam, mas com muitos conselhos há sucesso” (Pv.15.22).
De onde vem a Sabedoria?

A sabedoria vem de Deus, quem a procura Ele dá em abundância. Isto é promessa. Provérbios prima a sabedoria no seu capítulo 8, e especificamente no versículo 17 a sabedoria exclama que ama aquele que a ama, e quem a procura acha. Se você buscar a sabedoria em Deus, Ele não hesita em lhe dar. Jesus ratifica isto em Mateus 7.7-8: “Peçam e vocês receberão; procurem e vocês acharão; batam e a porta será aberta para vocês. Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate.”

Quer ser sábio? Então “ouça os conselhos e esteja pronto para aprender; assim, um dia você será sábio” (Pv.19.20).

Em suma, busque a sabedoria em Deus. Escute mais do que falar. Aprenda a saborear as palavras de pessoas mais experientes que você e a ignorar as palavras fúteis dos tolos. “Com sabedoria se constrói o lar e sobre a prudência ele se firma” (Pv. 24.3). “Ter sabedoria é tão bom como receber uma herança” (Ec. 7.11). Aprenda a ouvir apenas conselhos que te edificam e mediante a eles, formule a sua própria opinião, pedindo sempre a orientação de Deus. “Entrega o Teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” (Sl. 37.5). Ele ensinará o caminho a seguir: “Eu lhe ensinarei o caminho por onde você deve ir; eu vou guiá-lo e orientá-lo” (Sl. 32.8). Deus Te orientará se você permitir que Ele tenha acesso a sua vida. Se você quer ter sabedoria, permita esse acesso, coloque seu futuro nas mãos de Deus e faça como Davi em Salmos 16.7: “Louvo a Deus, o Senhor, pois Ele é o meu conselheiro.”

Um comentário:

  1. De antemão, quero te parabenizar pelo blog e pelos excelentes artigos escritos.

    Concordo com a paradoxalidade da sentença popular "se conselho fosse bom, não se dava, mas se vendia". Isto porque todo dito popular é uma espécie de conselho. E, na qualidade de conselho, deve também se submeter ao parâmetro de validade de um conselho dado ou vendido.

    Desse modo, vemos duas situações sucessivas entre si:

    (a) - Alguém profere, gratuitamente, o referido dito popular em tom de conselho a outrem. Ora, se o conselho de que "se conselho fosse bom, a gente não dava, mas vendia" foi dado, logo se lhe falece o valor, prejudicando sua validade formal. Significa dizer, portanto, que a proposição "se conselho fosse bom, a gente não dava, mas vendia", não é boa e, consequentemente, não é verdadeira.

    (b) - Se o dito popular em tela não é verdadeiro, imperioso reconhecer que todo conselho dado é bom, o que torna verdadeira a proposição. Contudo, se é verdade que o conselho dado é bom, também o é a expressão "se conselho fosse bom, não se dava, mas se vendia". E se essa sentença é verdadeira, cai-se no paradoxo de que conselho dado não é bom.

    Show de bola: viva os paradoxos!

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