Por Pr. Estevam Fernandes
Pastor da Primeira Igreja Batista de João Pessoa
O que é, afinal, a esperança? Ela existe mesmo, ou é apenas um tema recorrente dos poetas, dos teólogos, dos místicos, ou, quem sabe, dos tolos?
Assim como é impossível movimentar uma frota de carros, de aviões, de navios ou de outros veículos a motor, sem combustível, também não é possível imaginar o ser humano movendo-se sobre a terra, debruçado sobre os desafios da vida, sem a esperança. Esperança é combustível; o combustível da alma!
Sem a esperança, tudo para; tudo fica congelado, como um tempo sem o amanhã. É a esperança que nos faz pensar no próximo minuto, no próximo passo, na próxima tentativa. Ela é o fôlego da vida. É a inspiração que fecunda os sonhos e a respiração que os mantém vivos e os faz acontecer. A esperança e a vida se confundem. Uma não existe sem a outra. Por isso, a esperança é semente. É a vida em potencial.
Com grande propriedade, o apóstolo Paulo afirmou que a esperança não traz confusão (Romanos 5.5); com ela, a ordem sempre emerge do caos. A semente será sempre mais forte do que a pedra que a tenta esmagar. De onde ninguém espera, brota a vida; da imensidão das trevas, nasce a luz; das impossibilidades aparentes, surge sempre uma solução. É a esperança que não desiste.
A esperança é amiga da paciência. É filha legítima da fé, e é parceira inseparável da perseverança e da determinação. Por isso tem razão a sabedoria popular quando afirma: "quem espera sempre alcança".
Ter esperança, portanto, é a condição primeira para tornar-se uma pessoa vencedora. Sem ela, diante de todas as adversidades da vida, especialmente diante daquelas que fogem ao nosso controle, não há como triunfar.
A vida não é fácil. Geralmente, perdemo-nos em meio aos labirintos escuros das surpresas desagradáveis e dos desafios que nos veem com ar de destruição. Por isso, quem não tem esperança, já é um perdedor; deixou-se vencer antes mesmo de começar a lutar.
Ter esperança é manter a luz acesa. É não curvar-se diante da escuridão, e ver tudo sem enxergar quase nada. É olhar para dentro de si, e não perder os sonhos de vista. É ver-se quando ninguém o percebe mais. É esforçar-se para manter-se vivo, ainda mais quando tudo conspira contra.
Um dos indicadores de que Deus habita em nós é a esperança que transborda em nosso coração. Deus é a fonte de toda a verdadeira esperança. Quem nele espera, jamais fica confundido. A essência da fé não depende das liturgias da nossa religiosidade exterior, mas emana de uma espiritualidade fundada na mais solene liturgia da alma: a fé, a esperança e o amor.
Quem ama, quer viver; quem vive, precisa de fé e de esperança. Todavia, é impossível manter a fé em Deus sem ter nos olhos o brilho da esperança. Esperar é olhar sempre na direção do amanhã. É confiar no Senhor, Aquele que tudo pode!
Fonte: Texto extraído do Livro: Quando vem a Brisa - reflexões sobre os dilemas humanos e a graça de Deus. 1ª ed. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2009.
Pastor Estevam Fernandes
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